quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Carnes Exóticas



Aqui no Brasil, os tipos de carne mais consumidos são a carne de boi, frango, porco e peixe. Por isso, todos os outros tipos podem ser considerados exóticos.
Na verdade, o que é considerado exótico para uns pode ser normal para outros.
No Vietnã, existem restaurantes em que você escolhe o animal vivo, como macaco, esquilo ou cobra, e os cozinheiros preparam o bicho na hora. Lá, as carnes exóticas estão relacionadas mais com a saúde do que com o sabor.
Tenho um amigo vietnamita que come esses bichos diferentes, mesmo não gostando do sabor, só porque faz bem pra saúde. Na verdade, ele diz que esses animais te deixam forte. Come macaco para adquirir sua rapidez, gato para adquirir sua explosão muscular e por aí vai. Quando eu perguntei por qual motivo ele come porco ele não soube me responder. Com todo respeito pelos porcos, acho que ele tem vantagens pouco convencionais como fuçar comida na terra. Mesmo achando estranho, respeito a tradição do meu colega, mas prefiro comer pelo sabor.
As aves de caça são muito saborosas. Perdiz, galinha d’angola e faisão são tenras e fazem parte do menu de grandes restaurantes. A carne escura dessas aves combina bem com molhos a base de frutas vermelhas e ficam perfeitas grelhadas ou assadas.
Uma ave que gera muita controvérsia é o pombo. Credo! Carne de pombo?
Pois é. Iguaria sofisticada e cara na França, aqui no Brasil raramente é consumido. No Marrocos, faz-se uma torta crocante de carne de pombo temperada com canela e salpicada de açúcar de confeiteiro que parece maravilhosa. A bisteeya de pombo, como é chamada, é preparada para banquetes e ocasiões especiais. Se essa moda pega a praça da Marisa no centro seria um lugar melhor!
E rã? Já comeu? No Peru, toma-se uma sopa de rã no café da manhã. É um líquido turvo lotado de pequenas rãs logo no começo do dia. Não tive coragem de experimentar.
Já a perna de rã a dorê eu gosto e é um prato apreciado por muitos mogianos. Pra quem nunca comeu e quer saber como é, imagine uma mini perna de um maratonista albino, empanada e com gosto de frango. É isso!
Dentre as carnes consideradas exóticas, o cordeiro é a minha preferida. Em vários países do Oriente Médio e em alguns da Europa é a carne mais consumida pela população, mas no Brasil ainda é estranho ao paladar da maioria. Difícil de achar para comprar, em Mogi das Cruzes raramente encontro.
As receitas árabes de cordeiro são tão saborosas quanto as francesas, mas os temperos são diferentes. Enquanto os primeiros abusam do cominho, canela e hortelã, os franceses gostam de combinar com alecrim, alho e vinho tinto.

Receita do Dia
Fiz esse prato no domingo de carnaval e todos adoraram. Como meu pai e meu sogro já haviam tomado todos os vinhos secos, tive que usar um suave e inesperadamente o resultado foi incrivelmente melhor. Se preferir um sabor mais ácido, substitua o vinho tinto suave por tinto seco.

Ingredientes
1 pernil de cordeiro
1 maço de alecrim
1 cenoura
1 cebola
4 dentes de alho
1 garrafa de vinho tinto suave
8 colheres de azeite
3 a 4 colheres de amido de milho
sal e pimenta do reino

Na véspera, corte a cenoura e a cebola em cubos. Deixe o pernil marinando na mistura de vinho, o alho, a cebola, a cenoura e em alguns galhos do alecrim.
No dia seguinte, retire o pernil da marinada e seque com papel toalha. Tempere com sal e pimenta e, numa panela que possa ir ao forno, doure o pernil no azeite uniformemente.
Retire o pernil da panela e junte os vegetais da marinada. Frite até amolecer e volte o pernil à panela.
Cubra com o vinho, tampe e leve ao forno baixo (150ºC) por duas a três horas, dependendo do tamanho do pernil. Durante esse tempo, recolha o líquido do fundo da panela e jogue por cima da carne a cada 20 minutos. Nos últimos 20 minutos, tire a tampa e aumente o forno ao máximo. Verifique o ponto com o garfo, a carne deve se desfazer facilmente.
Quando estiver pronto, retire o pernil da panela, coe o molho e engrosse-o com amido de milho. Arrume o pernil numa travessa e cubra com o molho de vinho.
Sirva com batatas cozidas e decore com alecrim.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Comidas da Sorte



Dizem os imigrantes italianos que comer uma colher de sopa de lentilhas é certeza de fartura na mesa o ano todo. A lentilha é um grão vendido seco que praticamente dobra de tamanho quando cozido, por isso essa história de fartura. Além disso, era a comida preferida do rei Midas, aquele que transformava em ouro tudo o que tocava. Só não podemos esquecer que o rei Midas não teve um final muito feliz...
A carne de porco deve ser o prato principal da ceia. Isso porque o bicho fuça pra frente, e isso garante armários cheios o ano todo. Fico imaginando quantos porcos foram mortos nesse fim de ano. Coitado, pra quem dá sorte, acabar morrendo é no mínimo injusto!
Quem acredita nisso diz que deve-se evitar as aves na ceia porque elas ciscam para trás. Já um amigo meu que gosta muito de aves criou uma teoria curiosa. As aves dão sorte justamente porque ciscam. Elas jogam a terra para trás, como se tivessem esquecendo do passado. Quanta imaginação!
Os peixes também são os azarados da ceia. Diz-se deles que é símbolo de fecundidade, pelas suas enormes ovas, purificação, por causa da sua carne branca e união, por andar em grandes cardumes. Até que eu gosto dessas associações, pelo menos não é nada em relação a dinheiro.
Na Dinamarca a tradição é comer peixes e batatas e subir na cadeira momentos antes da virada. No instante da virada deve-se pular da cadeira e brindar com champagne. Uma velhinha de 88 anos muito supersticiosa insistiu em cumprir o ritual mesmo com a desaprovação da família e com muita dificuldade subiu na cadeira para pular. Quando deu meia noite a velha pulou. E não chegou a conhecer o próximo ano.
Legalzinha também é a lenda sobre a acelga e alho poro. A disposição circular das suas folhas representam a continuidade da vida. Ainda sobre os legumes, na Alemanha a sorte fica por conta do chucrute. Quanto mais repolho no prato maior a riqueza no próximo ano. Com certeza os fogos de artifício não são os responsáveis pelas explosões na Alemanha.
Depois das comidas vem as frutas. Comer doze bagos de uvas, ou comer sete, ou comer pulando ondas (uma cena ridícula de se ver), ou comer o tanto referente ao seu número da sorte, enfim, são várias as modalidades de ter prosperidade e dinheiro no próximo ano comendo uva. Ah, e as sementes devem ser guardadas na carteira. Por isso, aí vai uma dica: guarde a carteira na geladeira para evitar formigas e baratas!
Depois das uvas tem que comer romã. E guardar as sementes na carteira também.
Por fim, entre as sobremesas que dão sorte, deve-se comer merengue ou suspiro para ter um ano doce. Será que comer uma rapadura inteira vai tornar o meu ano mais doce ainda?
A tradição mais bonita acontece na Líbia e não tem nada a ver com sorte. Após as orações, as famílias matam uma ovelha e doa metade aos pobres.
Acho que vocês já perceberam que eu acho esses rituais para ter sorte uma baboseira. A maioria das comidas que dão sorte gira em torno de dinheiro e fartura! Pra mim as festas de fim de ano tem a ver com família, união e paz. É isso que eu desejo pro meu ano: família unida e paz.
Ano passado fiquei sabendo de uma mulher que estava tão ocupada comendo uva no mar que nem deu bola para os filhos que queriam abraça-la e desejar-lhe feliz ano novo. Ficaram lá na praia escura, sendo cumprimentados pelos outros parentes enquanto viam a mãe numa cena humilhante em busca de sorte.
Conheço uma família alemã que faz uma coisa muito legal no dia primeiro de todo ano. Todos vão para a cozinha e preparam um brunch. Cada membro tem a sua função e a comida é feita por todos. Depois eles rezam e sentam para comer.

RECEITA DO DIA
BRUNCH DA FAMÍLIA (para uma família de 4 pessoas)

Ingredientes
Para os ovos mexidos
-6 ovos
-1/2 maço de espinafre lavado
-50mL de leite
-sal e pimenta
-o filho mais velho
Para as torradas
-4 fatias de pão de forma
-azeite
-1 queijo brie
-4 fatias de presunto cru
-folhas de manjericão
-o filho mais novo
Para as carnes fatiadas
-a carne que sobrou (de porco ou de ave)
-2 cebolas
-2 tomates
-sal e pimenta
-azeite
Para o suco de frutas que sobraram
-uvas
-ameixas
-cerejas
-pêssegos
-melancia
-açúcar
-a mãe

Filho mais velho: bata os ovos e tempere com sal e pimenta. Junte o leite e despeje a mistura numa frigideira quente. Adicione o espinafre picado e mexa bem até chegar no ponto.
Filho mais novo: faça torradas com as fatias de pão. Corte o queijo em fatias. Despeje um fio de azeite em cada torrada. Coloque uma fatia de brie, outra de presunto cru e salpique com algumas folhas de manjericão.
Mãe: ficou com a tarefa mais simples porque foi a que mais trabalhou no dia anterior. Descaroce as cerejas, os pêssegos e as ameixas. Bata as frutas com água, açúcar e gelo. Coe e despeje numa jarra bonita.
Pai: fatie as carnes, as cebolas e os tomates. Coloque um fio de azeite numa panela, refogue a cebola com o tomate, junte as carnes para esquenta-las e tempere com sal e pimenta.
Reúnam todos na mesa e comam como uma família. Se sobrar um integrante da família, como o filho do meio, ele pode lavar a louça!


Pernil de Natal



Semana passada escrevi sobre importantes itens na mesa de Natal: os frangos, chester e perus, mas recebi alguns emails dizendo que faltou eu escrever de comidas mais importantes ainda das festas de fim de ano.
E é por isso que hoje esta coluna vai tratar dos porcos, mais precisamente do pernil.
Com o preço da carne de boi absurdamente alto, quem gosta de fazer churrasco na festa do ano novo vai acabar desistindo e comprando um belo pernil, que não custa muito e alimenta um time de futebol inteiro.
Na minha casa sempre foi pernil. As festas sempre foram grandes e o pernil é bom porque rende horrores.
Horrores de carne ou horrores de fato! Lembro um dia em que minha mãe foi servir o pernil que havia assado e ele estava mal passado por dentro. Ela olhou pra mim, que estava do lado segurando meu prato ainda vazio e determinou:
-Arruinei a festa!
Não chegou a isso porque a minha tia partiu o pernil em várias partes e o assou mais um pouco, mas foi motivo de grande preocupação por parte dos convivas, que botaram seus pratos debaixo do braço e tiveram que esperar mais um pouco pela “pièce de résistance”.
Pra mim o pernil sempre foi a peça mais importante da mesa. Claro que eu como um pedaço de chester, de preferência uma sobre coxa macia coberta com pele crocante, mas um pernil bem feito é imbatível.
Mas o que é um pernil bem feito?
Acho que todo mundo sabe. Um pernil bem feito deve ter a carne macia e úmida, a pele crocante e sequinha. Vale o mesmo para a leitoa, que naturalmente é mais macia, mas não rende muita carne.
Ano passado eu assei uma leitoa desossada. Tirei todos os ossinhos da leitoa, recheei com uma farofa bem úmida e amarrei o bicho de tal modo que ficou parecido com uma lingüiça enorme. Ficou bom, mas muito feio! Esse ano vou assa-la no seu formato original.
Para obter uma carne macia e suculenta e a pele crocante, vários detalhes devem ser observados.

Receita do Dia
O Melhor Pernil de Natal
Ingredientes:
1 Pernil fresco com pele
3 cebolas
2 cenouras
1 cabeça de alho
1Kg de toucinho fresco
1 garrafa de vinho branco
Sal
Pimenta do reino

Primeiro Passo: Marinar a carne. Esfregue a carne com pimenta do reino. Bata uma cebola no liquidificador com metade do vinho branco. Coloque o pernil na última gaveta da geladeira e despeje a mistura de vinho branco no pernil, sem molhar a pele. Deixe de um dia para o outro.
Segundo Passo: Preparar para assar. Retire a carne da geladeira e esfregue somente a pele com sal. Isso desidrata a pele, deixando-a mais seca.
Tire a pele do toucinho e corte o em tiras finas. Insira as tiras de toucinho na carne. Com o cozimento, a gordura do toucinho vai derreter e enriquecer a carne. Insira também lâminas de alho.
Pré-aqueça o forno na temperatura mais alta possível. Fatie as cebolas restantes e corte as cenouras em cubos grandes. Salgue o pernil.
Espalhe os legumes numa assadeira e coloque o pernil por cima.
Terceiro Passo: Assar. Coloque a assadeira no forno e asse a carne em fogo forte por uns 15 a 20 minutos. Depois, reduza para a temperatura mais baixa possível. Se seu forno for muito forte, além de abaixar a temperatura, cubra com papel alumínio. Asse por 8 horas e o resultado final será uma peça de carne para fatiar. Se assar por 10 horas, o resultado final será uma peça de carne para desfiar, o meu preferido.
Depois disso, remova a carne da assadeira e coloque numa travessa para servir. Mantenha quente no forno desligado.
Quarto Passo: O molho. Você vai notar que a assadeira ficou cheia de pedaços de carne e cebolas e cenouras douradas e apetitosas. Remova o excesso de gordura da assadeira e leve-a ao fogo, na boca do fogão mesmo.
Derrame o restante do vinho branco (se ninguém tiver tomado ainda) e mexa com uma colher de pau para soltar todos os sólidos grudados na assadeira.
Transfira o líquido para uma panela pequena e reduza à metade. Coe o molho e tempere com sal e pimenta do reino. Não gosto de engrossar esse molho, mas se preferir, misture duas partes de manteiga amolecida com uma de farinha e misture com o molho. Mantenha aquecido.
Quinto Passo: A pururuca. Vários são os métodos. O melhor que eu já experimentei foi usar um maçarico. Dirija a chama diretamente na pele, tomando cuidado para não queimar. Outro método que funciona bem é derramar óleo fervendo sobre a pele, mas a sujeira é desanimadora.
Enfim, sirva o pernil com o molho ao lado e espere os elogios!


sábado, 8 de dezembro de 2007

O Frango e sua Trupe



Todo fim de ano é a mesma coisa. Na mesa do Natal ou da festa do Ano Novo o frango ou um de seus comparsas sempre está lá, assado, todo bonitão e imponente, esperando ser devorado. E eu não reclamo disso, pelo contrário, não vejo a hora de assar o meu!

Como tenho 25 anos, tive a experiência de ter comido uns 20 frangos ou chesters ou perus de Natal. Uns memoráveis e outros inesquecíveis de tão ruins. Acho que é comum em todas as famílias os comentários pós festas de fim de ano sobre a comida que cada um levou. Um amigo meu diz que o bolo de Natal que a tia dele sempre leva foi preparado por volta de 1950 e, como ninguém come, ela leva de volta pra casa e traz de novo no próximo ano. De tão seco, a iguaria da tia foi apelidada de Bolo do Agreste!
Pra mim assar frango é coisa séria. Alguns chefs dizem que reconhecem um bom cozinheiro pelo seu frango assado. Eles estão certos. Tem gente que pega o bicho, enfia no forno e depois de umas 2 horas, quando o frango está todo esturricado acha que assou um frango.
Existem alguns segredos para preparar um bom frango, peru, pato ou chester.
Antes dos segredos, queria escrever um pouco sobre o chester. Pra quem não sabe, o design do chester foi realizado pelos humanos e não pela natureza. Inicialmente o chester, cujo membro original veio da espécie Gallus gallus, era uma ave escocesa pequenina, meio sem graça. Então a indústria, por meio de melhoramentos genéticos, fez o bicho ficar peitudão e coxudão. Comercialmente decidiu-se batizar a super ave de chester. “Chest” em inglês é peito e "er" é um sufixo superlativo. Traduzindo, no Natal vamos comer o Peitudão.
Credo! Então quer dizer que o chester é uma modificação genética, um ser bizarro, um X-Animal?
Pode ser, assim como o frango que compramos em supermercados. O frango de hoje em dia tem quase o dobro do peso, 40,03% mais calorias e 10,23% mais colesterol do que o frango caipira. Além de ser tratado com antibióticos e até anabolizantes.
Então, uma vez por ano você pode comer um chester, ele não vai te fazer mal. E tente uma vez ou outra preparar um frango caipira ou orgânico, que cresceram livremente e se alimentaram com qualidade. Eles são mais caros é verdade, mas são mais saborosos e saudáveis também. Nós moramos no interior e existem vários criadores de frango caipira na região, além de que alguns supermercados já possuem os bichos do bem em suas gôndolas.
Bom, agora vamos aos segredos.
Primeiro o tempero: use ervas frescas e não secas. É muito fácil de achar em supermercados, feiras e no mercadão. Salsa e tomilho com manteiga ou manjericão com raspas de limão com manteiga funcionam bem com frango. Com os dedos, vá soltando a pele da carne do peito e coloque a mistura de manteiga entre a pele e a carne, deixando uma camada de 1cm. Esfregue o interior da ave com a mistura também. Se quiser marinar, ótimo, adicione uma garrafa de vinho branco ou suco de laranja doce e deixe de um dia para o outro. Nunca fure a pele, ela é a proteção da umidade.
Para assar o bicho, primeiro você deve secar a pele com papel toalha e salgar por dentro e por fora. Amarre as pernas para ele ficar bem juntinho e doure a ave inteira numa frigideira grande, ou na churrasqueira, ou com maçarico, grelhador do forno, enfim, o que você tiver em mãos, mas doure a pele por inteiro antes de levar ao forno.
Agora você pode escolher entre duas técnicas para assar a ave: assar com grelha ou butter-roasting.
Nas duas técnicas, regule o forno na temperatura mínima e asse pacientemente por 2 a 5 horas, dependendo do tamanho da ave.
Se escolher assar com grelha, unte a grelha do forno e coloque a ave diretamente nela, com uma assadeira com água na grelha de baixo para recolher os líquidos que irão pingar da ave. Na hora de retirar o assado, retire a grelha inteira do forno e só depois transfira cuidadosamente o bicho para uma travessa de servir. Essa técnica é ótima para patos e frangos porque a pele fica deliciosamente crocante.
Se escolher butter-roasting, derreta 3 colheres de manteiga numa panela que possa ir ao forno e coloque a ave dentro. Tampe a panela e de meia em meia hora banhe o frango com a manteiga e os sucos da ave. Nos últimos quinze minutos, remova a tampa e aumente a temperatura do forno ao máximo para secar a pele. Essa técnica mantém o máximo de umidade e suculência do assado, mas a pele não fica tão crocante como na primeira. Aves gordas como chester e perus ficam perfeitas preparadas assim.
A ave deve estar cozida por dentro, mas não esturricada. Se tiver um termômetro, asse até o interior chegar a 62ºC. Se não tiver, espere os líquidos da ave saírem transparentes.
Qualquer dúvida mande-me um email.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Eu não sei comer chocolate



Tem gente que não sabe comer carne. Pede bem passado e come sola de sapato. Gente que não sabe beber vinho. Põe gelo na taça, açúcar e (juro que vi) até adoçante. Tem gente que não sabe comer chocolate. E eu sou um deles.
Andei experimentando uns chocolates considerados os melhores do mundo, um belga, alguns suíços e um alemão. E não fiquei nada entusiasmado com o sabor e nem com o preço. Por isso peguei uns livros e fui tentar entender por que eu não sabia apreciar chocolate.
Aprendi que os grandes chocolates têm algumas características comuns: a superfície deve ser lustrosa e brilhante, sem nenhuma descoloração. Quando quebrado, o chocolate deve se quebrar em partes bem definidas, sem esfarelar. Por fim, deve derreter rapidamente e uniformemente na boca.
Nunca vi alguém não gostar de chocolate. O meu irmão ficou alguns anos dizendo que não gostava de chocolate. Pensei até em leva-lo a um psiquiatra, mas ele acabou voltando a gostar de chocolate, não me lembro como. Pelo menos ele está curado!
Pesquisas garantem que a sensação do chocolate derretendo na boca ativa o cérebro e os batimentos cardíacos mais intensamente do que a sensação de um beijo apaixonado. Não entendo como eles conseguem fazer esses tipos de pesquisa, mas pelo jeito o chocolate é muito mais do que uma sobremesa.
Esse negócio do chocolate derreter na boca é um negócio interessante. Pensar que você pega um pedaço da barra, que é sólida, coloca na boca e instantaneamente ele derrete.
Isso acontece porque a manteiga de cacau derrete numa temperatura um pouco abaixo da temperatura humana. Assim, quando a temperatura ambiente está igual ou abaixo da nossa, o chocolate vai derreter quando o levarmos à boca. Quando a temperatura ambiente for maior do que a do nosso corpo, você sabe o que acontece: o chocolate derrete na embalagem e alguém vai passar vontade.
Os especialistas dizem que não podemos guardar o chocolate na geladeira, o melhor seria guardar numa adega de vinho, entre 18ºC e 20ºC.
Já percebi que bons chocolates derretem mais facilmente do que os comuns.
É porque eles têm alto teor de manteiga de cacau, diferente da maioria dos nacionais, que possuem pouca manteiga de cacau e, pior ainda, substituem por gordura vegetal hidrogenada. Essa gordura não derrete tão facilmente em temperatura ambiente e, por conseqüência, na boca também não, deixando uma sensação de cera.
Fui ao supermercado e fiquei impressionado em constatar que grandes marcas como Nestlé, Garoto e Lacta empobrecem seus chocolates com gordura vegetal hidrogenada. Toblerone, Lindt e Milka (não o nacional) são chocolates que não possuem gordura vegetal hidrogenada, portanto, melhores.
Voltando à afirmação inicial, eu não sei comer chocolate e já sei o porquê.
O problema é que os chocolates excepcionais contêm muito pouco açúcar e leite. Um bom apreciador de chocolate deve sentir o gosto amarguinho do cacau, analisar a torrefação do grão e até o terroir. E eu gosto é de chocolate bem doce e se possível com leite extra! E vou continuar assim, comendo chocolate porque é doce e derrete na boca!

O Espresso preferido da Natália
Essa receita é muito simples. É ótima para servir num jantar especial e ainda por cima é possível preparar na véspera.

1 barra de chocolate meio amargo
250mL de creme de leite
1colher de manteiga
2 gemas
4 colheres de sopa de licor de café
raspas de uma laranja

Derreta o chocolate em banho Maria junto com o creme de leite. Mexa sem parar até derreter. Tire do fogo e junte o licor de café e as gemas. Deixe esfriar por uns cinco minutos sem parar de mexer e acrescente a manteiga. Misture tudo e coloque tudo num saco de confeitar.
Com cuidado para não sujar as bordas, encha quatro xícaras de café, cubra com filme plástico e leve para gelar por, no mínimo, 2 horas.
Na hora de servir, salpique com as raspas de laranja. Vai muito bem com biscoitinhos amanteigados.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Granita de Tangerina Morcote



Mais uma Granita


Essa ficou ótima!

2Kg de morcote

600mL de água mineral

400g de açúcar


Leve o açúcar e a água ao fogo até dissolver todo o açúcar. Espere esfriar e junte o suco de morcote.

Leve ao freezer e quebre os cristais de gelo a cada 30 minutos.

SORVETE, SORBET e GRANITA



De acordo com as estatísticas, o brasileiro não é muito chegado a um sorvete não.
Os Estados Unidos é o maior consumidor de sorvetes do mundo, mesmo com um inverno frio aquele povo não larga um picolé.
Nos países nórdicos, onde a temperatura do verão é praticamente a do nosso inverno, o consumo de sorvete por pessoa é de 26 litros, enquanto que no Brasil é de apenas um litrinho por pessoa.
Essas estatísticas são meio furadas porque levam em conta apenas o consumo de sorvetes industrializados, e não os feitos em casa. Aqui no Brasil não é todo mundo que pode comprar sorvete, o preço não é doce e gelado, é bem salgado. Por isso muita gente faz sorvete em casa, na verdade geladinho, aquele picolé de saquinho. Talvez, se o geladinho e o mercado informal entrasse nas estatísticas o Brasil ganharia algumas posições no ranking dos maiores consumidores de sorvete.
Mesmo assim nunca chegaríamos a 26 litros de sorvete por pessoa, como nos países nórdicos. Isso equivale a mais de uma bola de sorvete por dia! Como um lugar em que a temperatura média anual fica entre 5º C e 6º C pode consumir tanto sorvete?
Vou tentar responder sem ser muito chato. Em temperaturas frias o corpo precisa de mais gordura, e o sorvete é uma ótima fonte de gordura. Além disso, todas as casas e estabelecimentos comerciais têm sistema de calefação. Enquanto que no Brasil nós ficamos encapotados dentro de casa no inverno porque não temos sistema de aquecimento na casa toda, lá ninguém passa frio dentro de casa. Assim dá pra encarar um sorvetinho né.
Antigamente o sorvete era simplesmente uma mistura de gelo de neve, suco de frutas e mel. Complicado era conservar o gelo de neve. No Brasil, o sorvete chegou em 1834. O gelo chegava de navio e era coberto com serragem e enterrado em valas fundas. Inacreditavelmente a vala conservava o gelo por até seis meses.
Hoje as variedades de sorvete não inúmeras e das mais inusitadas. Já vi até sorvete com azeite e sal marinho. Nos restaurantes, além dos sorvetes tradicionais os chefs adoram criar sorbets e granitas,
Sorbets e granitas são insuperáveis, minhas sobremesas geladas preferidas.
Sorbet é praticamente um sorvete feito de água em vez de leite ou creme de leite. Ele é mais refrescante, não é gorduroso e também mais fácil de fazer em casa.
O sorbet é servido como sobremesa ou como refresher entre um prato e outro, para limpar o paladar. Lembro de uma vez que estava trabalhando como garçom em Weggis, na Suíça, num jantar de oito pratos. Entre um prato e outro servimos numa taça uma bola de sorbet de limão siciliano com uma pequena dose de vodca. Era um refresher muito bonito e de alta categoria, só que um senhor de uns 80 anos achou que o líquido que estava no fundo da taça era o sorbet derretido e tomou tudo num gole. Quando engoliu percebeu que era vodca e ficou muito nervoso. Praguejou tanto que achei que ele teria um troço! Quem mandou não ler o cardápio?
Enquanto eu escrevo este artigo estou fazendo uma granita de café e mel, que vou salpicar com amêndoas torradas. A característica da granita é a textura cristalizada, obtida com os cintilantes cristais de gelo formados com o congelamento.

Granita la Luna
200g de açúcar
450mL de água
4 colheres de café instantâneo dissolvidos em 450mL de água
cascas de laranja
chantilly
mel
amêndoas torradas

Leve ao fogo a água, o açúcar e as cascas de laranja para fazer uma calda. Coe e deixe esfriar.
Junte a calda e o café dissolvido na água num recipiente de vidro ou inox e leve para gelar. De meia em meia hora mexa a granita com um garfo, quebrando os cristais de gelo formados na superfície e nas bordas do recipiente. Faça isso até obter a textura de grãos de areia grossa. Coloque duas colheres da granita numa taça, cubra com uma colher de mel, as amêndoas torradas e um pouco de chantilly.