quarta-feira, 14 de março de 2012

Why confit?



Confit is a generic term for various kinds of food that have been immersed in a substance for both flavor and preservation.

Let’s be honest. Using a lot of fat to cook is fucking expensive and also a big mess. So why should we use this cooking method?

The first idea of confit food is fat penetrate the food and makes it flavorful and tender, right?

New researchers have found that fat doesn’t penetrate into the food. The fat only coats the ingredient!

But we all know duck leg confit has a totally different flavor from any other cooking method applied to cook a duck leg. Why?

Let’s talk about flavor.

First, as a preservation method, we salt the meat or marinate to get rid of the nasty things that can spoil the food, right?

Lightly curing the meat allows us to preserve the thing for a long time. With time, the enzymes act and change the flavor.

Also, with time the fat gets rancid and also changes.

Second, we always cook confit adding herbs and spices into the liquid. So the fat is full of basil leaf, black peppercorn and thyme flavors and aromas for example.

Be brave and taste the fat only. You will be amazed of how flavorful it is.

Ok Fábio, so the fat doesn’t penetrate the food. So why should I cook in fat instead of cook in water?

Because of an event called osmosis. That’s the good reason to confit your damn bird.

When you cook in water, the flavor of your ingredient flows to the water because the environment with more concentrate liquids always goes to the less concentrate (this is osmose DUMB!).

It’s like making a stock. The flavor goes to the liquid.

As I told you already, fat doesn’t penetrate the food. So when you cook food submerged in fat, the flavors of the food doesn’t go anywhere!

Besides preservation, that’s the reason of confit.

Cook in water and you lose flavor, cook in stock and you add stock flavor to your food (also a good thing), cook with air and you’ll dry the ingredient (oven…smart boy) so cook confit and the flavor would stay inside your food.

Ok, good reasons to cook confit, but fat still expensive and messy.

The option is sous-vide. Add flavored fat inside the bag together with the main ingredient and cook. The bag will protect the food as the fat does.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

O que não mata engorda



Meu pai janta todo dia num restaurante de comida rápida num shopping em São Paulo.

Todo dia ele pede um ovo frito com gema mole para a atendente e todo dia ela nega, diz que infelizmente não pode pedir aos cozinheiros para preparar isso.

Meu pai é uma pessoa insistente e espere que um dia seu pedido seja atendido!

Pode parecer exagero do restaurante não querer preparar ovo frito com a gema mole, mas há sim um risco do ovo estar contaminado por salmonela.

A salmonela só é eliminada a altas temperaturas, e como a gema mole é quase crua, pode ser sim perigoso comê-la.

Não é só este estabelecimento que toma decisões radicais para erradicar os riscos de contaminação por alimento.

O McDonald’s só serve hambúrguer bem passado e não adianta você pedir um ao ponto. Eles vão esturricar do mesmo jeito.

As empresas de fast food nos Estados Unidos tem um medo enorme de servir alguma coisa estragada e ter que pagar indenizações milionárias (e muitas vezes injustas) e como conseqüência acabam erradicando o prazer de comer.

Lá as coisas estão ficando tão ridículas que já proibiram o queijo de leite cru e muitos restaurantes especializados em carne estão evitando servir a carne mal passada ou ao ponto.

É verdade que os americanos são um dos povos mais toscos em relação à comida, mas não precisava empurrar o bêbado da ladeira! Desse jeito eles nunca vão aprender a comer.

É claro que não devemos consumir comida estragada, vencida ou suspeita, mas o prazer de comer não pode ser barrado pelos inúmeros riscos que um alimento pode trazer à nossa saúde.

O Chef Alex Atala, considerado o melhor da America Latina, preparou uma receita com filé mignon suíno e o serviu mal passado.

Ele explicou que hoje os porcos são de procedência controlada e que hoje em dia pode-se servir a carne de porco de boa procedência mal passada, mas não adianta falar. Todo mundo acha que ele cometeu um pecado.

Em São Paulo freqüento uma hamburgueria que simplesmente não serve o hambúrguer bem passado. A mulherada reclama bastante, mas eles estão certos. Depois elas vão reclamar que a carne está seca e sem gosto.

Eu sirvo o ovo com gema mole no Cantagalo. Nosso ovo é fresquíssimo, vem direto de um produtor, e posso garantir a qualidade.

Pode me chamar de louco, mas quem sai pra comer não quer pensar em outra coisa a não ser no prazer de comer.

Receita de hoje

Carpaccio em crosta de pimenta

Para o horror dos e para o deleite dos aventureiros, uma receita simples, saborosa e arriscada, para alguns...

Ingredientes

1 peça de filé mignon

100g de pimenta do reino moída grossamente

Sal

Azeite

Amarre o filé mignon para que ele fique redondinho.

Enrole em filme plástico bem firme e leve para gelar por 4 horas. Assim ele ficará bem firme e redondo.

Esquente bem uma frigideira larga. Doure o filé mignon rapidamente por todos os lados.

Retire da panela e esfregue o sal e a pimenta do reino.

Enrole de novo em filme plástico e leve para gelar por mais 4 horas.

Corte fatias finas da carne, não tão finas como um carpaccio tradicional e tempere com azeite.

Sirva com salada ou batata frita.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Comida de madrugada


Ontem minha esposa e eu estávamos resolvendo o que iríamos comer no jantar.

Nós dois chegamos à conclusão que um bom mexido seria o prato da noite.

Só havia um problema: não tínhamos nenhuma sobra de comida pra preparar um!

Assim, cozinhei feijão novo, ela fez arroz e refogou umas carnes.

Pode parecer loucura, mas gostamos tanto de mexido que preparamos um com comida novinha! Com tudo pronto, mexemos na panela com farinha de mandioca e ovo.

Aprendi a comer mexido com meu pai, que aprendeu com o nosso vizinho, que aprendeu no sul de Minas Gerais, em sua cidade natal.

Eu comia muito mexido nas férias. Ficava acordado até de madrugada e quando a fome batia era no mexido que eu ia.

Virou então uma das comidas da madrugada, um tema muito interessante e curioso porque nessa hora não há espaço para muito trabalho e mesmo assim preparamos comidas substanciosas e muito saborosas.

A fome da madrugada é uma fome diferente da que sentimos durante o dia. Ela vem de uma vez e precisa ser dominada rapidamente, antes que ela te consuma!

Além do mexido uma boa pedida da madrugada são as omeletes e ovos mexidos.

Vale também pegar tudo o que tem na geladeira, ou se não tiver muita coisa, abrir uma lata de sardinha ou atum e bater tudo com os ovos.

A melhor omelete pra mim tem que ter muito queijo, cebola frita e lingüiça. Eu frito a lingüiça, depois a cebola e junto os ovos com queijo.

Passo manteiga num pão de forma, tosto e aí é só festa. Fico assistindo comerciais do 1406 e como até a fome sossegar.

Um amigo meu prepara um famosos macarrão da madrugada. É uma boa porque em qualquer cozinha sempre há um pacote de macarrão. É um suprimento essencial como o arroz e o feijão.

Molho de tomate ou até mesmo uns dois tomates também são ingredientes que todo mundo tem. O macarrão do meu amigo é um macarrão com molho de tomate, sardinha ou atum e uma colherada de maionese, pra deixar mais cremoso.

Ah, e ele cozinha o macarrão pra ficar bem mole. A teoria dele é que quanto mais molinho melhor a digestão.

Já provei algumas vezes e confesso que gostei. A maionese no molho é como o Corinthians: ou você adora ou você odeia.

Meu irmão mais velho não gosta nem de ficar sentado junto com alguém que come macarrão com molho de tomate e maionese. O que mais o perturba é o barulhinho que faz: nhec nhec nhec!

Há também o clássico sanduíche, talvez a primeira comida da madrugada, criada por um jogador de cartas que estava com fome e não queria largar o jogo. Pediu então que colocassem um pedaço de carne entre duas fatias de pão para que ele não sujasse as mãos.

Funciona do mesmo jeito, o sanduíche deve ser preparado com as sobras da geladeira, sempre com bastante recheio e coberto com queijo e sempre deve ser quente, mas aí vai o meu preferido:

Receita de hoje

Sanduíche ignorante da madruga

Ingredientes

3 fatias de pão de forma

1 lata de ervilha

½ cebola fatiada

Suco de meio limão

1 lata de atum

3 colheres de maionese

2 colheres de ketchup

2 colheres de mostarda escura

Misture a ervilha com a cebola, o suco do limão e o atum.

Misture a maionese com o ketchup e a mostarda escura.

Passe a mistura em uma fatia, adicione uma parte do recheio, depois cubra com outra fatia, coloque o restante do recheio, feche o sanduíche e cubra com o resto do molho.

Assim ele ficará como um bolo coberto. Coma com garfo e faca, talvez com um pouco de batata palha ao lado.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Carne e carnaval


Chegou o carnaval. Vou ficar 4 dias sem trabalhar! Pra quem trabalha sempre na hora da diversão dos outros, isso é uma dádiva de Deus.
Então pra mim é tempo de preparar o que eu mais gosto. Receitas demoradíssimas, aquelas que eu nunca tenho tempo de preparar.
Assar pães que demoram uma eternidade para crescer, defumar carnes ou peixes, salgar carne de porco, cozinhar carnes que ficam um dia inteiro no fogo, enfim, receitas que não se pode preparar durante o dia a dia.
Como não suporto o carnaval, vou é ficar bem sossegado me divertindo com outras coisas.
Muita gente diz que adora o carnaval, mas particularmente acho que essa festa está em declínio. Uma prova disso são as festas nos salões, que estão acabando de vez.
Pode ser um atrativo do Brasil, mas para o brasileiro acho que o que vale mesmo são os dias sem trabalhar!
Tenho uma amiga havaiana que não conhecia o Brasil. Aí fomos mostrar pra ela o samba e as danças. Ela ficou horrorizada com a dança esquisita.
A gente nasceu e cresceu vendo esta esquisitice, mas olhando pelo ponto de vista de quem nunca viu essa dança, o samba é realmente estranho.
Os pezinhos movendo rapidinho, dando passinhos minúsculos e muito rápidos enquanto o corpo todo dá soquinhos para todo lado!
Tire o som da sua televisão enquanto uma dançarina se mexe feito louca e você vai entender o que eu estou dizendo.
Quem não consegue sambar no estilo “soquinho”, dança de uma maneira que parece que a pessoa está correndo no lugar. Os braços se mexem como se estivesse correndo e as pernas também, mas a pessoa mal sai do lugar! É muito estranho. Sem contar aqueles que não sabem fazer nem o estilo “soquinho” nem o “corredor falso” e apelam para o dedinho pro céu. Este é sem comentários.
Eu acho ridículo, mas você pode gostar. Então eu vou parar por aqui! Já estou até vendo a minha caixa de email saturada de xingamentos!
Por isso vamos voltar à culinária. Quem sabe você gosta tanto da receita de hoje que me perdoa?
Aprendi esta receita num livro de um dos chefs que mais admiro: Heston Blumenthal, chef do restaurante The Fat Duck, considerado o segundo melhor do mundo.
No livro, ele sai em busca da receita do melhor bife, e acaba desenvolvendo uma, que eu vou adaptar para você preparar no carnaval.
Vá ao seu açougue de confiança e peça para ele te vender uma peça inteira da chuleta, na verdade uma peça com 3 ripas. Assim você terá carne para umas 6 pessoas.
Saia do açougue e vá direto a uma borracharia de confiança.
Borracharia? É...

Receita de hoje

Filé da borracharia

Ingredientes
Uma peça de chuleta com costelas
Sal marinho
Manteiga
Pimenta do reino preta

Pode parecer estranho, mas quem não tiver um maçarico forte em casa vai ter que ir até uma borracharia.
Peça emprestado o maçarico do borracheiro e toste a carne por inteiro. Seja rápido para ninguém te achar maluco e para não cozinhar a carne. É só para tostar o exterior.
Coloque a carne num forno elétrico a 50°C. É a temperatura mínima de um forno elétrico. Se não tiver um, regule seu forno a gás na temperatura mais fraca possível e deixe a porta do forno completamente aberta.
Deixe assar nesta temperatura por 24 horas. As enzimas vão trabalhar durante esse tempo e sua carne ficará macia e saborosa, mas mal passada.
Depois de 24 horas, retire a carne do forno e deixe descansar por 2 horas em temperatura ambiente.
Agora retire a carne do osso. Passe a faca pelo osso em “L”, depois corte em bifes de 4cm de largura.
Esquente uma frigideira de ferro, ou alguma bem pesada que você tiver por 5 minutos.
Enquanto isso, misture o sal com a pimenta moída grossamente e um pouco de óleo.
Passe o bife no óleo temperado e doure na frigideira quente, virando ocasionalmente até chegar no ponto desejado.
Pelo amor de Deus, não deixe a carne passar, ou mais de 24 horas de trabalho irão para o lixo!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Piquenique


Desde criança sempre sonhei em fazer piqueniques.
Eu tinha uma coleção de livro da Disney, e meu preferido era um em que Mickey e seus amigos faziam um piquenique no campo.
Do cesto de vime saíram tortas, saladas e sanduíches, que foram espalhados pela toalha quadriculada em vermelho e branco. Não lembro dos conflitos da história, mas da vontade que eu ficava de comer tudo o que havia lá.
Comecei a comer rabanetes porque na história havia uma salada de rabanetes que me apareceu muito apetitosa.
Pedi pra minha mãe comprar e comi me imaginado junto com o Pato Donald.
O problema é que nunca consegui fazer um piquenique por aqui. Não acho que nossos parques sejam seguros e tenho medo de ter que dividir minha comida com um assaltante.
Assim, só consegui fazer piqueniques quando morei fora do Brasil, onde você, se quiser, pode comer terra de hashi e ninguém vai te importunar por isso.
Piquenique é uma palavra de origem francesa. Era a designação de refeições nas quais cada pessoa trazia um prato e todos comiam juntos. Isso ainda no século XVII. Com certeza eles não tinham problema em encontrar uma bela paisagem para se reunir e comer.
Lá na França existe até o verbo “pique-niquer” que pode ser traduzido como piquenicar.
A comida servida neste tipo de reunião combina muito com o verão e deve ser diferente das servidas em almoços preparados em casa.
Primeiro que não tem como servir comida quente em piqueniques a não ser que você leve um fogareiro. Mas isso tem outro nome: farofada.
Então, abuse de frutas, vegetais em picles, carnes frias, saladas que possam ser temperadas com antecedência, queijos e pães.
Para beber, muita água mineral, vinho e é perdoável levar suco na garrafa térmica. Suco e não sopa!
Farofar ou piquenicar, vai depender muito do que você vai preparar.
Imagine uma linda cesta de piquenique sobre uma linda toalha branca bordada. Você está num parque magnífico de frente para um lago. Todos esperam ansiosos pela comida que surgirá da cesta.
Se você surgir com um frango assado, um pacotão de farofa e uma salada de maionese você é farofeiro, certo?
Mas se você tirar uma salada de grãos para comer em copinhos, finas fatias de roast beef temperados com azeite e um pão de chocolate com banana, mesmo que você esteja na Praça do Carmo, vai parecer que está no Jardim de Luxemburgo.

Receita de hoje

Kit de piquenique
Ingredientes:
Para o pão de chocolate com banana
-500g de farinha de trigo
-2 tabletes de fermento biológico
-1 pitada de sal
-6 colheres de açúcar
-6 colheres de azeite
-1 e ½ xícaras de água aproximadamente
-2 bananas nanica
-1 barra de chocolate ao leite

Dissolva o fermento na água e junte o açúcar, sal, azeite e o trigo. Amasse bem e descanse a massa até dobrar de tamanho. Abra a massa em um retângulo e espalhe o chocolate e a banana picada. Enrole o pão e forme uma coroa. Esfregue azeite na superfície da massa, espere crescer e salpique açúcar.
Asse no forno pré-aquecido até dourar bem.

Para a salada de grãos
-1 punhado de feijão branco, fradinho, grão de bico cozidos e escorridos
-1 punhado de ervilha congelada
-azeite
-sal
-um punhado de ervas frescas

Junte todos os ingredientes e misture bem. Reserve na geladeira.

Para o roast beef
-1 peça de contra filé de 1kg
-sal
-pimenta do reino
-azeite

Doure a peça por todos os lados numa frigideira até tostar bem. Tempere com sal e pimenta do reino e leve ao forno a 190°C por 15 minutos.
Deixe a peça esfriar, fatie finamente e tempere novamente com sal, pimenta do reino e azeite. Sirva frio com um bom pão.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

REGIME FORÇADO



Eu que sou tão contra regimes, acabei fazendo um.
É a solução do verão. Imagina, perder 5 quilos em 2 dias!
Batizei esse regime de “5 por 2”. E aí vai a receita:
Vá a um supermercado de uma rede que não seja mogiana e compre coração de galinha.
Tempere com limão, sal e alho. Asse no churrasco, coma umas 12 unidades e espere.
Não se esqueça de esperar sentado na privada porque de lá você não vai mais sair.
Meu Deus do céu. Fiquei de segunda a terça-feira praticamente vivendo no banheiro. Passei mal horrores e acabei fazendo um regime forçado.
Além de mim, minha esposa, meu irmão e minha cunhada também tiveram dias de rei, todos sentados no trono.
Trabalhar com alimentos é coisa séria. E espero que nenhuma criança tenha comido o coração de galinha daquele supermercado idiota.
Nesses dias de calor o cuidado com os alimentos devem ser redobrados e até a escolha do que se vai comer é importante.
Não coma alimentos pesados porque nosso corpo demora muito para digeri-los.
Com o corpo lutando para resfriar o corpo e ainda tendo que digerir a maldita dobradinha que você comeu, o resultado só pode ser um mal estar geral.
Você também deve saber que comida estraga muito rápido quando deixada em temperatura ambiente. Ainda mais quando a temperatura passa os 30°C. Então esqueça a mania que sua avó tinha de deixar bolo, torta, arroz, e etc fora da geladeira. TUDO que foi cozido deve ir para a geladeira!
“Ah, mas eu sempre deixei o arroz do almoço no fogão até a hora da janta e nunca me aconteceu nada” Um dia vai acontecer, e você vai ficar tão traumatizada que não vai comer arroz por um bom tempo.
Agora que você entendeu que lugar de comida é na geladeira, vamos aos alimentos leves.
Arroz é leve, mas feijão é pesado. Não estou dizendo que você não deva comer feijão no calor, mas para variar, que tal comer arroz sem feijão.
Eu sei que arroz branco sem feijão não tem lá muita graça, mas experimente refogar bastante cebola em rodelas, depois adicionar cenoura ralada e um punhado de espinafre e misturar tudo isso no arroz cozido. Fica tão bom que você não vai querer mais nada para acompanhar. Se juntar carne seca então sua família vai comer na tigela de colher!
Pratos com macarrão são geralmente leves. Uma pasta com molho de tomate fresco, uma salada de macarrão com um monte de verdura e ervilhas congeladas.
Ah, esqueça as ervilhas em lata. Elas têm muito sal e são horríveis. Prefira as congeladas ou as frescas.
Ainda falando das massas, que tal uma sopa de cabelinho de anjo. Sirva gelada, é claro.


Receita de hoje
Sopa gelada de cabelinho de anjo

Ingredientes
-1/2 pacote de macarrão cabelo de anjo
-1/2 cebola
-2 pimentões vermelhos
-1 pimentão amarelo
-2 pepinos
-3 tomates maduros
-1/2 maço de espinafre
-sal
-pimenta do reino branca
-3 filés de aliche
-azeite
-1 maço de manjericão
“Como você dá uma receita leve com pimentão, Fábio?!”
Você não vai comer a pele do pimentão, e isso é a única coisa indigesta nele.
Bata todos as verduras e o aliche no liquidificador. Corrija a espessura com água filtrada, se necessário.
Peneire o líquido (aqui a pele do pimentão fica fora da sua comida) e tempere com sal e pimenta do reino branca. Leve para gelar.
Quebre levemente os ninhos de cabelo de anjo e cozinhe conforme a embalagem. Escorra e lave até esfriar bem.
Quando o caldo estiver bem gelado, adicione o macarrão, salpique com manjericão e sirva com cubos de gelo.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Respondendo comentários

Caro Fernando,

A carne ficará pré-assada sim. Na verdade ela até poderia continuar na grelha até ficar no ponto de comer, mas o fogo deveria ser mais fraco e, ainda sim seria difícil chegar ao ponto da carne desmanchar.
Lembre-se de que isso pode ser feito com frango (fica muito bom), carne de porco e até legumes.

Da próxima vez poste com um email para eu te responder pessoalmente, ok?

m abraço

Fábio

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Lanchinho café com leite


Minha esposa adora tomar lanche. Ela só janta porque eu janto, mas se contentaria com um lanche.
Estou tentando convencê-la de que jantar é melhor e mais saudável.
Eu não acho certo substituir o almoço ou o jantar por um lanche. Como o próprio nome diz, lanche é um lanche e não uma janta!
Segundo os dicionários Houaiss e Michaelis, lanche é uma ligeira refeição entre o almoço e o jantar.
Então, tomar lanche de manhã significa tomar café da manhã e lanche após o jantar é ceia. Comer alguma coisa entre o almoço e o jantar é tomar um lanche,
Já provei que não existe lanche na hora do jantar! Mas mesmo assim não vou conseguir convencê-la com definições.
Lanche, para ela e para a maioria das pessoas é pão com manteiga e café com leite. Não me levem a mau, eu também gosto disso, só não acho correto substituir uma refeição completa.
Costumo brincar que ela come pão com gordura e um líquido com gordura, cafeína e açúcar.
Claro que eu sei que o leite é mais do que um líquido gorduroso, mas tudo o que eu escrevi acima é verdade, não é?
Na minha opinião, saudável seria uma refeição rica em carboidratos, proteínas, fibras, vitaminas, minerais e etc.
Não que minha esposa precise emagrecer! De jeito nenhum! Imagina eu escrever pra Mogi inteiro que minha esposa precisa perder peso? Ela acabaria comigo!
O que eu quero mostrar é que dá pra ser mais saudável comendo coisas melhores.
Mesmo NÃO querendo entrar no tema dieta, é impossível não perceber que o café com pão vai de encontro com quem quer fazer dieta.
Pior ainda é querer tomar um lanchinho light e meia hora depois ir beliscar qualquer coisa na geladeira.
Beliscar, isso sim é ruim. Você não vai beliscar um tomate ou uma salada de grãos, vai comer um pedaço de queijo, chocolate, azeitona, salgadinho, bolacha, enfim, tudo o que é fácil de comer e que engorda.
Natália, isso não foi pra você viu? Juro por Deus!
Os adeptos do lanche devem estar perguntando: “Nossa! Então você quer dizer que devemos comer arroz e feijão à noite?”
Sim, e daí? Só não precisa encher o prato de comida! Se achar necessário, coma pouco, mas coma bem. Um prato com arroz ou batata, grãos, uma carne magra e salada pode chegar ao mesmo peso de um café com pão se pesarmos o leite.
E os outros lanches? Aí sim. Faço lanches que substituem uma refeição inteira sem problemas. O pão é um carboidrato assim como o arroz, se você rechear seu pão com legumes, vegetais e uma carne sua refeição ficou completa!
“Ah, mas o café com pão é mais prático!” Se você chega ao ponto de comer isso por praticidade não leia minha coluna...


Receita de hoje

O lanche mais completo
Ingredientes
1 pão italiano redondo
1 lata de tomate pelado
Carne assada de ontem
Alface
Cebola
Cenoura
Ricota
azeite extra virgem
1 dente de alho

Toste levemente as fatias de pão italiano, deixando macio por dentro, mas crocante por fora.
Passe o dente de alho no pão para dar sabor.
Fatie a cebola, salpique sal e após cinco minutos esprema para extrair o líquido. Pique o alface e rale a cenoura.
Adicione a ricota esmagada sobre a fatia de pão. Adicione um tomate pelado cortado por cima. O líquido do tomate vai umedecer a ricota, que beleza!
Sobre o tomate a cebola e a cenoura, depois a carne e por último o alface. Adicione um fio de azeite, sal e feche o sanduíche.
Ah, pode comer depois de fechá-lo.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Geléias


A época das frutas vermelhas está acabando. Nada de morangos de verdade, framboesas ou amoras.
Digo morangos de verdade porque atualmente há morangos para vender durante o ano todo, mas os fora de época são horríveis. Não tem nada a ver com aqueles morangos macios e suculentos que a gente espera.
Na casa do meu pai tem uma amoreira. Minha tia deu a muda e eu plantei. Esperei muito tempo até que ela começasse a dar bons frutos. Este ano deu tanta amora que nem conseguimos colher tudo. O chão e minhas cadelas ficaram até tingidas de roxo, de tantas frutas que caíram.
Fiz suco, torta, sorvete e comi amoras como nunca. Mesmo assim sobraram muitas, e achei uma pena desperdiçar aquelas amoras grandes, gordas e suculentas.
A única coisa que me restou foi fazer geléia.
A geléia é um método de preservação. O açúcar preserva as frutas assim como o sal preserva a carne seca.
Antigamente, quando as frutas tinham épocas certas, as pessoas preparavam geléias para poder se deliciar com as frutas algum tempo depois da temporada.
Assim, cozinhavam as frutas em açúcar e as mantinham por uns bons meses.
Podemos dizer que existem dois tipos de geléia, uma que dura por anos e outra que dura por meses.
Eu aconselho a nós, não-profissionais da indústria de alimentos, a se focar somente nas geléias que duram menos. Para preparar geléias que duram anos, deve-se utilizar alguns conservantes, uma enorme quantidade de açúcar, vidros e utensílios esterilizados.
Cá pra nós, a geléia artesanal é muito melhor, já que não vai tanto açúcar como na outra, sendo possível assim sentir mais o gosto da fruta.
Com certeza você já comeu uma geléia que era tão doce que nem dava pra identificar de qual sabor era.
O preparo de uma geléia é simples, porém, se for preparada de maneira errada, você vai acabar com uma papa de frutas em vez de geléia.
Para cada quilo de fruta, adicione 150g de açúcar e um copo de água. Adicione uma colher de suco de limão e cozinhe em fogo baixo, até chegar à consistência desejada. Coloque num pote de vidro, tampe e mantenha na geladeira por um mês.
Muita gente erra quando cozinha a fruta em água e só depois adiciona o açúcar. A osmose vai pro lado errado, as células da fruta arrebentam e quando você ver o resultado final vai ter certeza que alguém vomitou na sua geléia quando você se distraiu.
Há uma outra maneira de preservar as frutas, na verdade a minha preferida.
Faça uma calda com 250g de açúcar e 400g de água. Depois que ferver, adicione as frutas, morangos por exemplo, e deixe cozinhar até amolecer a fruta, mas sem deixar desmanchar.
A calda “puxa” o líquido dos morangos ficando bonita e saborosa, enquanto que o morango encolhe pela perda da água, intensificando o seu sabor natural.
Geléias e frutas em calda são ótimos acompanhamentos para sorvetes, doces cremosos e até outras frutas frescas.
Experimente misturar a geléia que você fez no iogurte natural. Aí você vai entender o que é um iogurte com sabor de frutas.
Para uma sobremesa especial, que tal uma torta de frutas frescas e geléia?

Receita de hoje

Torta de maçã com geléia de amora

Ingredientes
-um rolo de massa folhada
-2 xícaras de geléia de amora ou morango
-4 maçãs gala descascadas
-4 colheres de açúcar
-2colher de manteiga sem açúcar

Unte uma forma de torta com manteiga, arrume a massa e adicione as maçãs cortadas em 4. Distribua a manteiga por cima das maçãs, despeje a geléia e feche a torta com mais massa folhada.
Risque a massa que cobre a torta para não crescer muito e salpique com açúcar.
Leve ao forno a 180 graus por 40 minutos, ou até dourar.


quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Viva o lixeiro


Finalmente voltei a atualizar o blog. Confira lá os artigos anteriores e aproveitem pra me criticar anonimamente!
Acabou a época de camarão. Finito. Fresco agora só no ano que vem.
Quem quiser comer à partir de hoje só vai achar congelado.
Camarão deve ser um negócio que muita gente gosta. Existe uma rede de restaurantes fast food que só serve camarão! Não é por menos, ele vai bem com tudo: arroz, macarrão, na moranga, frito, empanado, assado e até cru. Confesso que comi camarão cru uma só vez, mas era tão fresco que não tive medo.
Quando eu era criança ganhei uma máscara de mergulho que eu usava em São Sebastião.
Um dia estava nadando, olhando o fundo do mar, quando de repente eu vi um camarão. Fiquei tão assustado com a feiúra do bicho que me afastei de medo. É um crustáceo muito feio, mas muito gostoso.
Dizem que ele é o lixeiro do mar, já que comem restos de animais e limpam o seu ambiente. Deve ser por isso que ele é tão saboroso.
O camarão já foi um ingrediente caro, mas hoje o preço é acessível a todos.
Preste muita atenção na hora de comprar o seu camarão. Prefira os com cabeça e sita o cheiro. Coisa que fede normalmente não é boa.
Agora que não pode mais vender camarão fresco, compre congelado e descongele você mesmo na geladeira ou compre de uma peixaria de muita confiança.
Quando ele ainda era caro, começou a surgir nos restaurantes o classudo Coquetel de Camarão, uma entrada fria que era o must nos anos 70.
Quem tem mais de 30 anos (eu não!) já comeu alguma vez o tal do coquetel de camarão. A receita parece simples, mas como tudo na cozinha, alguns detalhes fazem a diferença.

Receita de hoje
Coquetel de camarão

Todo mundo acha que sabe preparar essa receita, mas me dê uma chance e leia as minhas dicas.

Ingredientes (4 pessoas)
24 camarões grandes
6 colheres de sopa de maionese
4 colheres de sopa de extrato de tomate
2 colheres de sopa de molho inglês
2 colheres de sopa de brandy
Páprica doce
Sal
Pimenta do reino
Açúcar

Recorte o lombo dos camarões sem cabeça para limpá-lo, mantendo a casca.
Misture 2 colheres de sopa de sal, 2 de açúcar e 2 xícaras de água e misture bem até dissolver.
Coloque os camarões limpos nesta solução por 25 minutos na geladeira. Isso vai deixar o camarão crocante e mais saboroso.
Enquanto isso, forre uma assadeira com papel alumínio e leve ao forno bem quente.
Ainda dá tempo de preparar o molho: junte a maionese, o extrato de tomate, o molho inglês, o brandy, uma pitada de açúcar e tempere com sal e pimenta do reino. Deixe na geladeira até a hora de servir.
Escorra os camarões, lave-os em água fria e seque em papel toalha.
Coloque-os numa vasilha e derrame algumas gotas de óleo para untá-los por igual. Tempere apenas com páprica e leve-os ao forno, espalhados na travessa já quente, por 5 minutos.
Vire os camarões e deixe por mais 4 minutos. Assar os camarões intensifica o seu sabor, ao contrário de cozinhá-los, método em que se perde muito sabor para a água.
Retire do forno, leve para gelar rapidamente no freezer por 5 minutos e sirva em taças com o molho.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Comida e cerveja


Como postei um artigo sobre vinho, algumas pessoas comentaram que gostariam de ler sobre cerveja. Eu já tinha um artigo sobre cerveja, então aí vai...


Tenho uma dificuldade em escrever títulos. Esse de hoje dá a entender qual comida que vai bem com cerveja, mas na verdade não é. Primeiro porque, pra mim, nenhuma comida merece isso. Segundo porque o artigo de hoje tem a ver em como utilizar a cerveja na comida. Aí sim pode criar combinações incríveis.
Eu não bebo cerveja.
'Como não?' Muitos me perguntam já tirando um sarro. Eu já me acostumei com isso. Pra muitos, beber cerveja é coisa de macho, ou de brasileiro, ou simplesmente porque todo mundo bebe, a resposta mais burra e triste que eu já recebi quando pergunto isso a alguém. E eu, que não bebo, sou o estranho. Sou estranho mesmo, só que jamais vou ficar segurando uma latinha para parecer igual aos outros.
Não bebo porque não gosto e porque não preciso de álcool para relaxar ou ficar alegrinho. Claro que respeito quem bebe, só que não me encha o saco, por favor!
Mesmo não gostando, acho uma bebida incrível. O proccesso de fermentação, a escolha dos ingredientes e as significativas alterações no produto final, a linda coloração dourada e as minúsculas bolhas que formam a espuma realmente me fascinam.
Criada a mais de 4000 anos antes de Cristo, essa bebida faz parte da história de muitos países. Na Alemanha, em 1516 foi criada uma regra de preparação que acredita-se ser a primeira a tratar de alimentos.
Diz a norma que os únicos ingredientes permitidos na fabricação da cerveja são: água, lúpulo e cevada-malte.
'Ué, mas não é assim que se faz cerveja?' Teoricamente sim.
Analisando o rótulo de uma cerveja popular encontrei: água, malte de cevada, lúpulo. Até aí tudo bem. Mas também continha: cereais não malteados, carboidratos, antioxidante (INS 316) e estabilizante (INS 405).
Os carboidratos não são especificados e os INS 316 e INS 405 tem um nome tão assustador e misterioso que pode matar um alemão de desgosto.
Os cereais não malteados utlizados pelas indústrias são arroz e milho, grãos muito mais baratos que a cevada e que, na verdade, fazem a cerveja render mais. Em contrapartida, a sua cerveja tem menos sabor. Mas quem liga pra isso? Os grandes fabricantes de cerveja porcaria induzem todos a beber a cerveja geladíssima, estupidamente gelada, abaixo do zero e blábláblá. Sabe o porquê?
Porque alimentos gelados anestesiam os sensores gustativos, ou seja, tudo muito gelado tem menos gosto do que numa temperatura superior.
A temperatura ideal para beber cerveja é 6ºC. Ah, você acha que a cerveja tem um gosto ruim quando servida “quente”? É porque esse é o real gosto da sua bebida.
Quando tinha o restaurante, coloquei três cervejas de qualidade no menu. Para cada 50 cervejas porcarias eu vendia 1 cerveja de qualidade. E tinha ainda que ter uns exemplares no freezer, além das que ficavam na geladeira, porque sempre tinha um idiota que pedia a cerveja de qualidade “trincando”.

Isso me lembra uma moça que colocou adoçante no vinho tinto. 'Ai, esse vinho está seco demais!' Juro que é verdade.
Ainda bem que existem pequenas empresas que fazem cervejas de qualidade. São um pouco mais caras, mas pra cozinhar são incomparáveis e para beber eu não sei, mas pelo menos os cervejeiros colocam uma boa dose de carinho nos seus produtos. Aqui em Mogi é fácil achar cervejas nacionais de qualidade da marca Baden Baden e Eisenbahn, além de algumas importadas. Na dúvida, leia os ingredientes.
Na comida, grande parte do álcool vai embora com o cozimento e o que fica é o sabor profundo e intenso do malte respaldado por um agora sutil amargor proveniente do lúpulo.
Experimente trocar a água da receita do seu pão por cerveja e você entenderá o que eu quero dizer.
Mais fácil ainda, frite cebolas em rodelas em manteiga até amolecerem e ficarem escuras. Salpique um pouco de farinha de trigo, mexa um pouco e adicione uma boa cerveja preta. Tempere e você terá o melhor molho para acompanhar salsichas ou linguiças frescas.

Receita de hoje
Sopa de cerveja pilsen

Ingredientes
1 garrafinha de creme de leite fresco
500g de cebola em cubinhos
400g de cenoura em cubinhos
100g de alho poró em fatias
2 colheres de manteiga
ervas frescas de sua preferência
350mL de cerveja pilsen de qualidade
150g de parmesão ralado na hora (não daqueles saquinhos com gosto de vômito)
150g de provolone (bem molinho) ralado
pimenta do reino branca

Esquente a manteiga numa panela e refogue os legumes até murchar. Adicione 1 litro de água, as ervas e ferva lentamente por 30 minutos.
Coe o caldo e volte o líquido para a panela. Reduza pela metade, adicione o creme de leite e ferva por uns dois minutos.
Retire a panela do fogo e adicione os queijos.
Bata no liquidificador, volte a sopa para a panela e adicione a cerveja, Tempere com pimenta do reino branca e sal, se necessário.
Esquente sem deixar ferver e sirva com torradas e para beber....cerveja né!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A Índia que vivi



Hoje vou relatar a experiência que tive ao viver com indianos.
Nunca vi um capítulo da novela das oito que acabou de acabar, mas sei que por causa dela a Índia está na moda.
Também por influência da novela vários livros sobre os indianos surgiram no mercado, e na semana passada acabei de ler um livro sobre a cultura, comida e tradições do segundo país mais populoso do mundo.
Só depois de ler entendi por que os indianos nos tratavam de forma diferente na escola em que estudei na Suíça. Não todos, mas a grande maioria dos indianos hindus considerava nós, os ocidentais, o lixo do mundo.
Havia em torno de 20 indianos estudantes de hotelaria na escola, entre 150 de outras 43 nacionalidades. Assim, eles eram um grupo forte e impenetrável na nossa pequena Torre de Babel.
Para os hindus existem regras de preparo nas refeições. Um estrangeiro comedor de carne de porco e vaca não podia tocar na comida e, como eles achavam a comida da escola impura, cozinhavam nos seus quartos todos os dias.
Eu morava no terceiro andar e um indiano morava logo abaixo de mim. Todo dia ele cozinhava e o aroma de sua comida subia com intensidade.
Os condimentos fortes misturados com cheiro de fritura faziam a gente morrer de vontade de comer aquela comida, mas isso nunca aconteceu é claro.
Havia também no curso uma indiana muçulmana, mais flexível que os demais, mas mesmo assim muito invocada. Era a única que estudava gastronomia.
Um dia, no ramadã, ela estava exausta após uma aula e resolveu que aquele dia ela iria quebrar o jejum e comer carne.
Um silêncio incômodo pairou sobre o ambiente enquanto ela, decidida, resolveu chutar o pau da barraca de vez.
Acreditávamos que o ramadã era cumprido á risca por todos, mas depois caímos na real e percebemos que os muçulmanos são pessoas normais, como nós, diferentes dos radicais que sempre vemos na televisão.
Havíamos cozinhado aquele dia vitela, porco e cordeiro. Os pratos estavam na mesa e ela perguntou qual deles era composto por vitela. O estudante que preparou vitela aquele dia apontou os pratos e disse ainda que estava muito orgulhoso de seus pratos.
Ela escolheu um filé alto ao molho de chocolate e se acabou de comer. Vi que estava um pouco mal passada, mas não falei nada, achei que ela gostasse assim.
Alguns instantes depois o Chef apareceu com as críticas dos pratos realizados naquele dia. A primeira coisa que ele disse é que todas as carnes estavam fora do ponto: a vitela e o cordeiro passado demais e a carne de porco mal passada.
A menina esbugalhou os olhos na hora e o estudante que indicou os pratos de vitela ficou desesperado! A garota havia quebrado o ramadã e comido carne de porco mal passada, alimento que ela não come nem fora do jejum!
Uma pequena briga foi logo apartada pelo pedido de desculpas do estudante que se enganou e tudo voltou ao normal.
Mais tarde, chamei a menina de lado e perguntei se ter comido carne de porco havia valido a pena. Em segredo ela me confessou que sim, que estava delicioso, mas que não podia dizer isso para ninguém.
Alguns indianos, ao final do curso, acabaram se “ocidentalizando” e se tornaram mais acessíveis. Se vestiam como nós, respeitavam nossas culturas e comiam de tudo. Diziam que nunca mais voltariam à Índia, país de que tinham muito orgulho antes de provarem a vida ocidental.
Respeito todos eles, primeiro porque não se pode classificar a tradição e cultura de um povo como certo ou errada e segundo porque adoro comida indiana...

Receita de hoje
Ingredientes
1 xícara de lentilha
2 batatas médias
1 colher pequena de curry
Pimenta-do-reino
Sal
Manteiga
Cozinhe a lentilha e as batatas em água até começarem a desmanchar.
A consistência deve ser de um ensopado bem mole. Adicione mais água se for preciso.
Numa frigideira, frite o curry e a pimenta do reino na manteiga (sinta só o aroma!) e despeje no ensopado. Tempere com sal e sirva com pão.

Vinhos



Não bebo álcool, mas experimento todo vinho que posso.
Além de fazer parte da minha profissão, gosto de desenvolver meu paladar e saber utilizar determinado vinho para harmonizar com um prato meu.
Dentre as bebidas alcoólicas, o vinho é a que mais está diretamente ligada à comida.
Muita gente bebe cerveja ou whisky sem comer nada, mas o vinho sempre pede um acompanhamento, mesmo que apenas um pedaço de queijo.
Acho que a vontade que as pessoas têm de comer alguma coisa quando bebem vinho se dá pela variação de sabor que ele sofre conforme a comida que se põe na boca. É uma bebida que se transforma, que muda conforme o que se ingere junto, conforme a temperatura, taça, a exposição ao oxigênio e por aí vai.
Além disso, a variedade encontrada no mercado é quase infinita e assim sempre vai haver uma busca, até inconsciente, do vinho ideal. É um comportamento natural do ser humano.
Tive esta experiência com o café expresso. Há inúmeras variedades e métodos de extração do líquido. Ganhei do meu irmão a máquina que hoje é considerada a melhor do mundo. Depois de algum tempo achei o meu café ideal e hoje tenho o melhor café do mundo (meu mundo) em casa, quando quiser.
Sabe que isso meio que me desanimou! Acabou a minha busca porque sei que o café que tomarei em qualquer lugar do mundo não será melhor que aquele que eu tenho em casa!
Atualmente há uma grande discussão sobre harmonização do vinho com a comida.
É difícil errar ao combinar apenas um ingrediente com um vinho, mas uma tendência atual na gastronomia pede o contraste de sabores, então uma refeição pode ter um filé mignon, uma espuma de manga verde e um bolinho de massa de arroz cozido em shoyu e molho de ostra. Acredite em mim, esse prato pode ser uma delícia, mas qual vinho irá acompanhar tamanha variedade de sabores?
Além do mais, nos grandes restaurantes há menus de 4, 5 e até 8 pratos. Como harmonizar uma refeição inteira dessa com o vinho?
Claro que isso até pode ser feito, mas ao oitavo prato o cliente talvez estará dançando encima da mesa e com certeza não estará notando as características particulares de determinado vinho com determinado prato.
Assim, toda essa complexidade que se cria em torno do vinho pode ser exagerada. Deixe a discussão sobre a harmonização para os experts e aproveite um bom vinho sem se preocupar muito com suas características e aromas de folhas do outono no chão frio da floresta, ui!

Receita de hoje

Perna de cordeiro assada ao alecrim

O clima frio combina muito bem com esse prato forte e substancioso. Para acompanhar, um vinho de inverno, ou seja, um vinho encorpado, que fará você ter mais vontade de comer, depois mais vontade de beber, comer, beber, comer e beber até acabar o vinho!
Ingredientes

-1 pernil de cordeiro
-1 maço de alecrim
-1 cabeça de alho
-azeite
-sal
-pimenta do reino preta

Fure o pernil em vários lugares e insira bastante alho, alecrim e pimenta do reino.
Esquente uma panela larga que caiba o pernil e besunte a carne com azeite.
Quando a panela estiver bem quente doure o pernil por inteiro, virando algumas vezes.
Tempere com sal e leve ao forno pré-aquecido a 220°C por uma hora.
Ele vai estar mal passado por dentro, mas é assim que ele fica melhor. Se quiser mais passado, deixe mais tempo mas abaixe a temperatura.
Sirva com batatas assadas.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Arroz e feijão


Arroz e feijão


Quando perguntei pra um amigo americano o que seu povo comia todo dia, ele não entendeu a pergunta. Quando eu disse que nós brasileiros comemos arroz com feijão todo dia ele achou, no mínimo, estranho. Comer a mesma coisa todos os dias é um fato inconcebível para a maioria das culturas, mas absolutamente normal e corriqueiro para nós.
Antigamente, no Japão comia-se arroz todo dia. Tanto que a minha avó sempre se referia ao almoço ou jantar como “gohan”, arroz em japonês. Ela dizia: “Rabinho! Comê gohaaaaan!”
Atualmente tanto os japoneses quanto os chineses não comem arroz todos os dias como antigamente. Macarrão e muito fast food agora fazem parte do menu dos orientais.
Aqui comemos arroz, feijão e uma “mistura”. O principal da nossa refeição é o arroz e o feijão. Já na maioria dos outros países, o que nós chamamos de “mistura” é o ingrediente principal do prato de comida (normalmente uma carne), e os acompanhamentos são os responsáveis pela substância do prato. Assim, fora do Brasil é usual comer um bife, alguns legumes e purê de batatas ou um cozido de carne, cebolas e cenouras acompanhado somente de pão. Isso sim é, para os brasileiros, no mínimo, estranho!
O arroz foi trazido pra cá pelos portugueses, que foi apresentado aos mesmos pelos orientais. O feijão sempre foi cultivado pelos nossos índios.
O costume de comer arroz com feijão não era dos nativos nem dos visitantes, eram dos que não queriam estar aqui: os escravos. Foram eles que juntaram as duas culturas e as transformaram numa só.
Curiosamente, algumas culturas também comem arroz com feijão. Existe um prato tradicional em New Orleans praticamente idêntico ao nosso. A culinária dessa região dos Estados Unidos é influenciada por iguarias regionais do continente africano. Só não é porque o feijão utilizado é o vermelho e os temperos são um pouco diferentes.
Já no Japão a combinação é doce. Existe um bolinho que é feito com purê doce de feijão azuki e coberto com arroz cozido e amassado. É como um croquete frio com a massa feita de arroz e recheio de feijão. Esse doce pode ser encontrado facilmente nas lojas de produtos especializados aqui de Mogi das Cruzes. Vale a pena experimentar pra variar.
É incrível pensar que o “dueto brasileiro” é consumido pela grande maioria da nossa população durante a maioria dos dias da semana. Tem gente que não gosta de verdura, uns loucos que não gostam de carne, gente que não gosta de pão, mas nunca ouvi falar de alguém que não gostasse de arroz e feijão. Isso acontece porque a combinação é perfeita. Só pode ser!
O arroz deve ser soltinho e ter uma certa resistência à mordida. Já o feijão deve ser cremoso, seu caldo grosso e bem temperado. Preparados desta maneira, comer os dois, com o feijão ao lado do arroz, por cima ou por baixo, é uma beleza.
Receita de hoje
Sopa de feijões com arroz selvagem crocante
Acho essa minha criação interessante por conseguir servir feijão e arroz numa forma bonita, atraente e gostosa.
Ingredientes
-1 xícara de feijão branco
-1 xícara de feijão carioquinha ou preto
-2 colheres de manteiga
-1/2 cebola picada
-1 dente de alho
-folhas de louro
-noz moscada
-um pedaço de pele de bacon
-sal
-pimenta do reino branca e preta
-1/2 xícara de arroz selvagem
-2 colheres de azeite
Cozinhe o feijão branco em bastante água e folhas de louro. Em separado, cozinhe o feijão carioquinha com o alho e a pele do bacon.
Retire as folhas de louro do feijão branco e faça um purê liso. Tempere com sal, noz moscada e pimenta do reino branca.
Faça um purê também com o feijão carioquinha. Bata tudo sem a pele do bacon e tempere com sal e pimenta do reino preta.
Esquente o azeite na frigideira e adicione o arroz selvagem cru e bem seco. Não adicione muito arroz, só o suficiente para cobrir todo o fundo da panela. Vá mexendo enquanto ele estoura feito pipoca. Cuidado para não queimar. Retire com uma escumadeira e escorra em papel toalha.
Numa cumbuca ou prato para sopas, adicione os dois purês simultaneamente para que cada purê ocupe um lado da cumbuca sem se misturar. Coloque um montinho de arroz selvagem crocante por cima, salpique o arroz com sal e sirva.

Voltei!!!

Desculpe por todo esse tempo sem atualização!!! Voltei e vou atualizar o blog.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Ossobuco


Semana passada tive a feliz oportunidade de jantar no Walter Mancini Ristorante, o restaurante classudo da família Mancini em São Paulo. Um dos pratos que mais me impressionou foi o pedido pela minha esposa, ossobuco com polenta cremosa. À primeira vista, um desavisado pode se perguntar como uma carne de segunda, que custa em média R$ 7,00 o quilo, pode figurar no cardápio de um restaurante de alta gastronomia italiana. Só provando pra ver.
Dentre as carnes de segunda, o ossobuco é minha preferida, competindo duramente com o rabo do boi.
Escrevendo o parágrafo acima percebi que não gosto dessa classificação: carne de primeira e carne de segunda. Um corte de “segunda” bem preparado não perde pra nenhuma carne molinha de primeira! Na verdade, tenho certeza que todo mundo já comeu um corte de primeira que foi tão mal preparado que deveria entrar na classificação como carne de quinta categoria. É lógico que não tenho como mudar a classificação das carnes, mas fica aí o meu protesto contra a preconceituosa classificação das carnes!
Voltando ao que interessa, o ossobuco é um corte que vem da canela do boi que é serrada em fatias de mais ou menos três centímetros. O resultado é uma fatia de carne (músculo) com um pedaço de osso no meio.
Essa carne é tradicional da região da Lombardia e principalmente em Milão, cidade em que se come o tradicional ossobuco alla milanese, cozido com vinho, e o risotto alla milanese, um risotto temperado com açafrão e servido com um belo pedaço de ossobuco. Por que é meu corte preferido? Porque a carne não tem muita gordura, mas é entremeada de tecido conjuntivo, que tem muito colágeno. Ele se dissolve com o cozimento, engrossa naturalmente o molho e acrescenta um sabor único ao prato. Além disso, a parte interna do osso é cheia de tutano, que também enriquece o molho e é uma das coisas mais gostosas do mundo.
Cozinhar um ossobuco leva tempo, mas vale a pena. É a receita perfeita para o friozinho que está fazendo agora.
A receita de hoje é uma junção das culinárias francesa e italiana porque são os franceses que adoram combinar massas e carnes com molhos. Já os italianos adoram ossobuco, mas normalmente preferem massa com molho de tomate.
Essa é uma combinação minha. Sinta-se à vontade em combinar o ossobuco com outro acompanhamento como polenta, purê de batatas o um bom pão italiano. A propósito, parabéns à padaria que está vendendo o legítimo pão italiano, que é fermentado naturalmente. Eles devem saber que qualidade é sempre um diferencial.

Ossobuco e massa com ovos (para 6 pessoas)

Ingredientes
2Kg de ossobuco
1 garrafa de vinho tinto de boa qualidade
750mL de caldo de carne artesanal
2 latas de tomate pelado
1 cebola cortada em fatias
4 dentes de alho inteiros
Farinha de trigo
Sal
Pimenta do reino
500g de qualquer massa larga seca
2 a 3 colheres de manteiga

Numa panela funda, adicione uma colher de manteiga e doure a cebola fatiada e os dentes de alho. Abra as latas de tomate pelado e separe o líquido dos tomates. Adicione o líquido à cebola refogada e cozinhe em fogo brando até engrossar o molho.
Enquanto isso tempere as fatias de ossobuco com sal e pimenta do reino. Empane com farinha de trigo, bata para remover o excesso e frite na manteiga, dourando os dois lados. A farinha protege o frágil mas essencial tutano. Depois que dourar todas as fatias, adicione-as ao molho de tomate reduzido e cubra tudo com o vinho tinto e o caldo de carne. Cozinhe lentamente por duas a três horas, ou até a carne ficar bem macia e o molho espesso. Se quiser apelar, uma hora na panela de pressão deve bastar. Corte os tomates pelados em dois e adicione ao molho.
Cozinhe a massa com bastante água salgada. Escorra, coloque num prato e cubra com o molho e a carne, que provavelmente estará desmanchando de tão macia. Não esqueça de colocar pelo menos um ossobuco por prato, senão vai dar briga!

Faca afiada


Após o artigo da semana passada, recebi muitos emails perguntando se eu iria parar de escrever a coluna por causa da minha viagem à Suíça. Acredito que não. Devo continuar a escrever e com certeza contarei algumas novidades do velho mundo.
Você deve imaginar que eu gosto muito de cozinhar. Entretanto, existem situações em que me deparo odiando a cozinha. Seria por causa da correria? Da temperatura insuportavelmente quente da cozinha? Da necessidade de fazer trinta coisas de uma só vez?
Claro que não, eu adoro isso! O que me irrita, o que dá vontade de atear fogo no meu cabelo é cozinhar sem os equipamentos e utensílios adequados.
Por isso, quando vou a algum lugar onde possivelmente vou cozinhar, levo minha mala de facas, ou pelo menos uma delas.
Pra cozinhar profissionalmente um conjunto de diferentes tipos de facas é imprescindível. Carrego comigo um conjunto de oito facas da Victorinox, mas um conjunto de quatro facas é o suficiente: uma pequena para legumes e frutas, uma para desossar, uma para filetar e uma faca do Chef de 8”. Ainda não experimentei, mas a Tramontina vende todos estes tipos de faca.
Pode parecer frescura, mas tente fatiar descaroçar uma uva com um facão de churrasco e você vai me entender.
Ah, não adianta você ter um bom conjunto de facas se elas não estiverem afiadas. O pior inimigo de um cozinheiro é uma faca que não corta nem manteiga. A faca cega faz a gente usar força e quando o alimento escapa do fio, provavelmente ele entrará na sua mão, dedo ou olho!
Como mantenho minhas facas afiadas, durante os cinco anos que cozinho profissionalmente só me cortei duas vezes. Uma vez como sushiman, quando tirei um belo sashimi da palma da minha mão, e outra vez quando estava fatiando cogumelos numa noite corrida e acabei sumindo com metade da unha do meu dedo anelar da mão esquerda. Dói só de lembrar.
Se você ainda não tem muita certeza da sua paixão pela culinária, pelo menos uma boa faca do Chef de 8’’ é aconselhável.
Faca na mão, agora você precisa de um fogão. Uma chama forte é essencial. Se você possui um fogão com a chama bem fraquinha, compre aqueles fogareiros com uma ou duas bocas, mas que valem por três. Eu queria colocar um fogão industrial no meu apartamento, mas a minha esposa não deixou. Não sei por que...
Um bom fogo é eficiente na hora de dourar algum alimento. E você sempre vai querer dourar alguma coisa, a não ser que goste de cubos de carne com a bela coloração cinza.
Agora que você tem um bom fogão ou um fogareiro, não adianta tentar cozinhar com aquelas panelas que as lojas de R$1,99 vendem. Compre pelo menos uma panela de alumínio com fundo grosso. Você precisa de um fundo grosso para a melhor distribuição de calor (evita queimar o fundo) e manutenção de calor, evitando que a temperatura da panela caia quando enquanto você adiciona o alimento.
Agora, com esse belo conjunto, vamos à receita de hoje.


Boeuf bourguignon
Ingredientes:
1Kg de peito, patinho ou coxão duro
100g de mirepoix
3 folhas de louro
4 cebolas fatiadas
Manteiga ou azeite
2 colheres de farinha de trigo
5 cenouras médias
2 dente de alho
1 bouquet garni
1 garrafa de vinho tinto de Borgonha
Salsinha picada
Sal
Pimenta do reino em grão

Esse é um prato muito fácil de fazer. E melhor ainda, fica mais gostoso no dia seguinte. Por isso, se preferir, faça-o com um dia de antecedência, resfrie, coloque na geladeira e apenas esquente na hora de servir.
Com um dia de antecedência, corte a carne em cubos de 25g, descartando a gordura e reserve. Junte o mirepoix, pimenta do reino em grão, as folhas de louro e o vinho. Se não tiver tempo, deixe a carne na marinada por pelo menos 4 horas.
Retire a carne da marinada e deixe escorrer o excesso de líquido num escorredor.
Leve a marinada ao fogo e deixe ferver. Retire a espuma que subir à superfície. Retire do fogo, peneire e reserve o líquido.
Esquente bem a panela, adicione o azeite ou manteiga e coloque uma porção da carne para fritar. Frite bem, fazendo os cubos de carne dourarem por inteiro. Não coloque tudo de uma vez, pois a temperatura da panela diminuirá, a carne soltará seu líquido e ficará cinza. Por isso, frite pequenas porções e reserve num prato ao lado.
Depois de fritar tudo, adicione as cebolas na panela e frite em fogo médio até ficarem macias e douradas. Adicione mais azeite ou manteiga se necessário. Salpique a farinha sobre as cebolas e cozinhe por mais alguns minutos.
Adicione o vinho tinto e raspe o fundo da panela para soltar todo o sabor que ficou grudado.
Coloque a carne de volta na panela, o alho picado, o bouquet garni e as cenouras cortadas em pedaços de 3cm.
Cubra a carne com água na razão de 2 partes de carne para 3 de líquido (água e o vinho).
Cozinhe o boeuf bourguignon em fogo bem baixo, com o líquido quase fervendo, por mais ou menos 2 horas, mexendo algumas vezes para não deixar queimar o fundo da panela. Retire qualquer espuma que subir à superfície.
Quando a carne estiver macia, retire o bouquet garni, adicione a salsinha picada e sirva.
Purê de batatas é um acompanhamento bem apropriado, mas Pommes duchesses ou, meu preferido, um naco de pão branco de casca dura, são ótimos acompanhamentos. Não esqueça de levar um pote de mostarda de Dijon à mesa.

Por que o Coronel fechou?

O Coronel restaurante hamburgueria fechou suas portas no último sábado.
Há três anos, minha esposa Natália, meu irmão Ewerton e eu decidimos abrir um restaurante diferente, estilo casual dinner, que mescla boa comida com descontração. Pensamos num restaurante em que comida de qualidade fosse servida num preço acessível, mas num ambiente informal e alegre.
Assim nasceu o Coronel, a primeira hamburgueria de Mogi das Cruzes.
Pratos caprichados, carnes grelhadas, hambúrgueres de fraldinha moída no dia, praticamente conforme os pedidos para garantir a qualidade da carne.
Sempre tive orgulho da nossa comida. Tinha satisfação em dizer que preparávamos nossos lanches e pratos do zero.
Infelizmente muitos clientes não entenderam nossa proposta e muitas vezes não entenderam a nossa comida. Numa noite de sábado, um cliente pediu um Petit Gateau, deu uma colherada e, com um ar de desprezo, reclamou com a garçonete que o bolinho estava cru, mole por dentro. Como pode tamanha ignorância? Quando a garçonete foi até a cozinha me contar e saber o que fazer, tive que rir pra não chorar. Me orgulhava tanto de preparar o Petit Gateau artesanalmente (posso contar nos dedos de uma mão os restaurantes mogianos que preparam o próprio Petit Gateau), mas aquele cliente me desanimou.
Quando lancei os risottos foi a mesma coisa. Preparávamos o caldo, e na hora do pedido um funcionário não fazia nada a não ser mexer cuidadosamente o arroz arbóreo, que era servido cremoso como todo risotto deve ser.
Várias vezes recebemos reclamações de clientes dizendo que o risotto estava estranho, que não se parecia com o risotto que eles conheciam.
Uma senhora afirmou categoricamente que não sabia o que era aquilo, mas não era risotto. Por fim, descobríamos que as pessoas achavam que risotto era aquele arroz de ontem com ervilha e frango desfiado (assado ontem também). E eu fiquei desanimado com o risotto e retirei do cardápio. É lógico que muitos clientes adoravam o risotto, e muitas vezes voltavam várias vezes para repetir o prato, caso dos amigos Norton, Anísia e filhos, fãs do nosso contestado prato.
No cardápio do ano passado acrescentei um prato regado com molho demi glace. Fazíamos este molho do zero e demorava 10 a 12 horas pra ficar pronto. Era trabalhoso, eu tinha que buscar ossos de vitela em São Paulo, assar, cozinhar, reduzir...e a maioria não dava a mínima importância pro bendito molho. Quem já provou sabe que é delicioso, de sabor intenso, untuoso e combina perfeitamente com carnes. Mas alguns clientes sempre pediam o prato sem o “molho estranho”, “esse negócio diferente”, “isso é doce?”, e assim percebi que não adiantava nada ir até São Paulo comprar os ossos de vitela e ter todo aquele trabalho. Eu queria pelo menos que os clientes provassem, o prato custava apenas R$14, mas fiquei desapontado.
Eu gostava de apresentar novidades aos mogianos. Tenho uma confissao a fazer. Se você gostou, nós que trabalhamos gostamos muito de saber disso. Ficávamos realmente contentes quando um cliente elogiava a decoração, o serviço do garçom ou a comida. Lembro de um dia em que um grupo de dez senhores me chamou para conversar. Quando entrei no salão eles levantaram e bateram palma para mim. Esta é uma lembrança que vou guardar com muita felicidade.
Ah, mas não posso esquecer dos clientes mal educados. Lembro com tristeza de um dia que fui até a sala dos funcionários e vi um garçom chorando sozinho. Perguntei o que tinha acontecido e ele disse que quando foi retirar o prato sujo de um cliente que acabara de comer, o mesmo disse: “pois é moleque, não deixei nenhum resto pra você” e caiu na risada com seus amigos.
Não quero escrever mais nada sobre isso. Entre nós, nunca mais tocamos no assunto. Saibam apenas que isso acontece e que chateia muito.
Assim, resolvi mudar de ares. Vou pra Suíça estudar mais três meses, participar do campeonato suíço de gastronomia e, quando voltar trabalhar com alta gastronomia.
Não vou mentir, estou muito triste porque acabou. Gostaria que não tivesse que fechar as portas. Não queria despedir meus fiéis funcionários, que acabaram virando amigos. Eu era apaixonado pelo Coronel, um sonho que se tornou realidade por algum tempo.
Sei que muita gente gostava do restaurante. Por isso, agradeço aos nossos clientes. Aqueles que voltavam sempre, que voltavam quando podiam, que gostavam de experimentar coisas diferentes, que entravam sorrindo, que entendiam a demora dos nossos pratos, que faziam críticas construtivas, que vinham só comer uma sobremesa antes da balada, que apoiavam, faziam propaganda voluntariamente, que vinham só pra tomar um milk shake, que passavam a noite inteira comendo e bebendo, as famílias, os casais, as turminhas, os grupos de amigos e os que vinham sozinho.
Com vocês no salão e eu na cozinha, tenho certeza que passamos bons momentos juntos sem mesmo nos ver.
Obrigado Coronel. Até algum dia.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Cozinha Básica



Em alguns artigos do Diário de um Cozinheiro, escrevi receitas em que caldo de carne, peixe, frango ou legumes aparece como ingrediente. Sempre peço para utilizar caldo artesanal, mas nunca dediquei um artigo àquilo que eu considero como um dos ingredientes mais importantes da cozinha e que mais faz a diferença entre preparar um prato bom ou ótimo.
Quase tudo na cozinha começa com um caldo, ou pelo menos deveria começar.
Molhos, sopas, carnes cozidas e assados devem ser enriquecidos com um bom caldo. Em suma, onde normalmente você adiciona água, num restaurante coloca-se caldo.
Mas Fábio, o que é um bom caldo pra você?
Pra mim e pra qualquer outro cozinheiro que tem algum conhecimento, um bom caldo deve ter muito sabor, nenhuma gordura e ser translúcido.
Eu adoro preparar caldo. Na terça-feira preparei um de carne que ficou 10 horas cozinhando. Nem tinha um motivo pra preparar, por isso, depois que ele ficou pronto eu reduzi o líquido e congelei pra usar qualquer dia.
É sempre bom ter cubos de caldo de carne concentrado em casa. Nos restaurantes, todo dia tem alguém preparando caldos e mais caldos, mas em casa não. Assim, prepare, reduza, congele e tenha sempre um caldo para quando precisar. Pra receita de hoje, vamos precisar de um caldo escuro de carne.
Peça ao seu açougueiro pra ele separar pra você uns ossos do contra-filé. Para 2 litros de caldo, utilize 1,2Kg de osso. Tire o excesso de gordura e leve para assar até ficar bem dourado.
Enquanto o osso assa, faça um sachê de especiarias. Coloque dentro de um filtro de café descartável um punhado de tomilho seco, umas pimentas do reino em grão, um cravo, umas duas folhas de louro e alguns talos de salsinha. Feche com um barbante e reserve.
Corte duas cebolas, uma cenoura e um pedaço de salsão de 10cm em cubos pequenos. Na panela do caldo, doure os legumes em pouco óleo. Mexa para não grudar.
Quando estiver bem dourado, adicione duas colheres de extrato de tomate e continue fritando até escurecer bem.
Você vai perceber que o fundo da panela ficou “sujo”. Adicione uma taça de vinho branco e raspe o fundo da panela para dissolver o que estava grudado.
Adicione os ossos assados e 3 litros de água fria.
Prepare uma cebola brulè. Limpe a cebola e corte-a ao meio. Coloque as duas metades da cebola numa frigideira sem óleo com a face plana para baixo. Deixe queimar até ficar bem preto e adicione ao caldo junto com o sachê de especiarias. Você pode não acreditar, mas essa cebola feia e queimada acrescenta um sabor incrível ao caldo.
Pronto, agora leve para ferver, abaixe o fogo e cozinhe lentamente por 4 horas, retirando a espuma da superfície com uma colher ou escumadeira.
Depois das 4 horas, coe o caldo e prove. Mesmo sem sal, aprenda a experimentar um caldo para saber identificar se um sabor está se sobrepondo a outro ou se está faltando algum ingrediente.
Se não for utilizar o caldo, reduza até virar um xarope e congele por até 3 meses em bandejas de gelo. Viu como é fácil?
Dei a receita com ossos de boi, mas tradicionalmente utiliza-se ossos de vitela na preparação. Você consegue ossos de boi de graça em Mogi. Ossos de vitela eu nunca achei aqui, mas no mercadão de São Paulo tem. Como a procura é muito pequena, ossos de vitela são baratos, coisa de R$3,00 o quilo, já a escola em que estudei na Suíça pagava cerca de R$15,00 o quilo. Então, aproveite o preço e faça bastante caldo!

Receita de hoje
O caldo pode ser temperado com sal e pimenta e virar uma sopa leve e saborosa, mas o que eu mais gosto de fazer são molhos.
Muita gente conhece o molho Velouté, que resumidamente é um caldo engrossado com farinha e manteiga. A partir de um Velouté, faz-se vários molhos, como o Allemande. E a partir deste último, prepara-se o Poulette, uma confusão saborosa!

Ingredientes
-2 Litros de caldo de carne
-100g de farinha de trigo
-100g de manteiga sem sal
-3 gemas grandes
-300mL de creme de leite fresco
-300g de champignon fresco fatiado
-1/2 cebola pequena picada
-1 colher de sopa de manteiga
-suco de limão
-salsinha picada

Primeiro prepare o Velouté. Junte a farinha com a manteiga numa panela e cozinhe em fogo baixo até adquirir uma coloração dourada. Adicione lentamente o caldo e mexa para evitar que encaroce. Deixe ferver lentamente.
Prepare o Allemande. Em uma tigela, bata as gemas com o creme de leite. Despeje 1/3 do velouté na mistura mexendo bastante. Depois devolva toda a mistura na panela do velouté. Não deixe ferver para não talhar o molho.
Por fim, prepare o Poulette. Salteie o champignon e a cebola na manteiga, adicione o molho Allemande, algumas gotas de limão e tempere com sal e pimenta. Finalize com salsinha picada e sirva com medalhões de filé mignon.